terça-feira, 26 de Agosto de 2014

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

A bela Adufe

A Adufe nº 22 já cá canta.
Se estiverem perto de Idanha-a-Nova, tentem arranjar um exemplar em papel. Para quem está longe, a versão digital pode ser lida aqui.

Com design da Silvadesigners, fotografias de Valter Vinagre e ilustrações do Alex Gozblau, Bernardo Carvalho e João Fazenda.

Letras pequenas



O "Com o tempo" no Guia do Lazer do Público por Rita Pimenta.

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Andarilhas ano SIM



2014 é ano de Palavras Andarilhas (e todos os caminhos vão dar a Beja).
Como habitualmente, o programa é extenso, variado, criativo e de muita qualidade.

Há atividades abertas ao público em geral e atividades para os participantes do encontro.

A Isabel Minhós Martins falará com o Álvaro Magalhães a partir do tema "escrever para pensar o mundo" no dia 30 às 11h30.
Tudo sobre as Palavras Andarilhas aqui.

quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Livros silenciosos podem dizer muitas coisas

Follow the Firefly! / Run Rabbit Run! by Bernardo Carvalho

Uma análise sobre "Books without words" no Look/Book.
Entre os livros que são objecto de análise estão também o "Olhe, por favor, não viu uma luzinha a piscar?/Corre, coelhinho, corre" (um livro sem palavras com um longo título!) e o "Todos fazemos tudo".

Ler aqui.



segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

A Cabana de Leitura na Quinta do Pisão

Lembram-se de falarmos da "cabana"?
A cabana "Um, dois e muitos" de Marta Wengorovius estará a passar o verão na Quinta do Pisão (até 30 de setembro). Se quiserem saber mais, é aqui.




Verão







sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Desafio para as férias: impressionar o Billy!



O Billy é um miúdo mimado que não se deixa impressionar por qualquer coisa.

Às tentativas do pai para o entusiasmar, dando-lhe a conhecer as personagens e as experiências mais incríveis, o Billy responde apenas com um encolher de ombros e um indiferente “Grande Coisa!”.
Andar a grande velocidade numa nave espacial?
Ver a girafa mais alta do mundo ou a borboleta mais minúscula?
Saltar num castelo insuflável ou andar de comboio a vapor? 
“Grande coisa!” diz o Billy.

Portanto, para estas férias, o desafio é: impressionar o Billy.

Como?
Fazendo um desenho muito impressionante, de qualquer coisa muito impressionante capaz de o deixar boquiaberto (a ele e a nós).
Depois, a equipa do Planeta Tangerina vai escolher os 10 desenhos mais impressionantes. 
E, no final de agosto, a nossa loja online vai oferecer 10 exemplares do impressionante livro “Grande Coisa” aos 10 impressionantes vencedores.

REGRAS:
Desta vez o passatempo destina-se a crianças/jovens até aos 15 anos.
O passatempo vai estar a decorrer durante todo o mês de agosto.
O prazo para envio de desenhos é dia 30/8/2014.
Cada participante pode enviar mais do que um desenho, num máximo de 3.
Os desenhos devem ser enviado por correio para: Rua das Rosas, n.º 20, 2775-683 Carcavelos
Ou por via digital para: shop@planetatangerina.com

Se ainda não sabem grande coisa sobre este “Grande Coisa”, leiam aqui.

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

terça-feira, 22 de Julho de 2014

Crianças comidas por felinos: grande coisa!*


* Este texto contém spoilers (desculpem lá, mas seria difícil falar destes livros sem desvendar os seus finais).






















“Grande Coisa” foi publicado originalmente no Reino Unido, em 2005, pela Walker Books e editado em Portugal, em 2010, tendo sido até ao momento o único livro do catálogo do Planeta Tangerina que resultou da compra de direitos de autor.

E como foram as reações dos leitores a este “Grande Coisa”?
De extremos.
Há quem tenha sido seduzido de imediato pelo enredo e pelo humor um pouco negro; há quem não tenha achado graça absolutamente nenhuma e, antes pelo contrário, se tenha até sentido um pouco melindrado com o final da história e se recuse a contá-la às suas crianças (conhecemos alguns casos).

E que história é esta?
Neste livro conhecemos Billy, um miúdo mimado que não se deixa impressionar por qualquer coisa, e um pai empenhado em dar a conhecer ao filho as coisas espantosas do mundo:
Andar a grande velocidade num nave espacial?
Ver a girafa mais alta do mundo ou a borboleta mais minúscula?
Saltar num castelo insuflável ou andar de comboio a vapor?
“Grande coisa” diz o Billy com um encolher de ombros indiferente.

O caso é, portanto, este. E o final, bem..., o final é o que nem Billy esperava, nem o que nós poderíamos imaginar: o Billy é comido por um tigre, mas, não se espantem assim muito, porque não foi a primeira nem a segunda criança na história da literatura infantil a ser devorada por um felino...





Talvez muitos leitores não saibam, mas este livro de William Bee é uma espécie de versão moderna de uma das primeiras obras do aclamado Maurice Sendak, chamada “Pierre: a cautionary tale”, editada em 1962. 

Neste livro, um rapaz chamado Pierre mostra uma atitude muito semelhante à de Billy. Indiferente ao amor e aos cozinhados da mãe, aos avisos do pai e às suas tentativas para o educar, Pierre a tudo responde com um mal-educado (e há quem diga até que deprimido) “I don’t care”, exatamente como, anos mais tarde, Billy viria a responder ao pai: “Grande coisa!” (“Whatever!” no original).

(...)
One day his mother said

when Pierre climbed out of bed

“Good morning, darling boy,

you are my only joy.”

Pierre said, “I don’t care!”
(...)



Tal como Billy, também Pierre acaba o dia na barriga de um felino, neste caso na barriga de um leão simpático que até lhe pergunta se ele se importa de ser comido:

(...)
Now as the night began to fall
a hungry lion paid a call.

He looked Pierre right in the eye

And asked him if he’d like to die.

Pierre said, “I don’t care!”
“I can eat you, don’t you see?”

“I don’t care!”

“And you will be inside of me.”

“I don’t care!”

“Then you will never have to bother”

“I don’t care!”

“With a mother and a father.”

“I don’t care!”

“Is that all you have to say?”

“I don’t care!”

“Then I’ll eat you, if I may.”

“I don’t care!”

So the lion ate Pierre.























Tal como na sua obra mais conhecida, O Sítio das coisas selvagens, também neste livro de Sendak nos confrontamos com o facto de as crianças terem, também elas, sentimentos negativos (zangam-se, impacientam-se, fazem birras, exigem demasiado, amuam). Com esta exposição do lado menos adocicado da infância, Sendak começou por chocar muitos pais e professores. Porque, ao contrário de esconder ou reprimir estes comportamentos, Sendak achou que devia mostrá-los, tirar partido deles, ser irónico e gozão. Apesar do choque inicial, a obra de Sendak acabou por ser reconhecida como uma das mais brilhantes do século XX e abriu portas para que livros como os de William Bee fossem recebidos sem grandes polémicas (goste-se ou não).



Por curiosidade, já em 1907, num outro livro chamado Cautionary Tales for Children” escrito por Hilaire Belloc, surgia um rapaz chamado Jim, que era comido por um leão depois de desobedecer à sua ama. Portanto, a ideia de fazer das crianças refeição de um felino para que aprendam uma lição não é de todo nova nesta mundo dos livros infantis e nem sequer começou em Sendak…

There was a Boy whose name was Jim;
His Friends were very good to him.
They gave him Tea, and Cakes, and Jam,
And slices of delicious Ham,
And Chocolate with pink inside,
And little Tricycles to ride,
And read him Stories through and through,
And even took him to the Zoo—
But there it was the dreadful Fate
Befell him, which I now relate.

You know—at least you ought to know.
For I have often told you so—
That Children never are allowed
To leave their Nurses in a Crowd;

Now this was Jim’s especial Foible,
He ran away when he was able,
And on this inauspicious day
He slipped his hand and ran away!
He hadn’t gone a yard when—Bang!
With open Jaws, a Lion sprang,
And hungrily began to eat
The Boy: beginning at his feet.
















Nos três casos (Belloc, Sendak e Bee), estamos próximos daquilo a que os ingleses chamam uma cautionary tale— uma espécie de história exemplar ou lição de vida — onde uma criança se porta mal e é castigada por isso. 
Por tradição, o tom destas histórias é exagerado, com um lado um pouco assustador para que o efeito resulte. Por tradição, os adultos que rodeiam as crianças fazem avisos, que são alvo da indiferença dos mais pequenos, e ficam, depois, também eles um pouco indiferentes às consequências quase sempre dolorosas que resultam do facto de não terem sido ouvidos.

E nesta questão do “final da história”, estes três livros (com várias décadas a separá-los) diferem um pouco: se Belloc exagera na reação indiferente dos pais ao desaparecimento do filho (a mãe chega mesmo a dizer, “não admira, com os avisos que lhe fiz”); no caso do livro de Sendak, os pais ainda correm com o leão para o gabinete do médico para tentar salvar a criança, contrariando o final tradicional deste tipo de contos...

Porque de facto, estamos próximos, mas não estamos perante verdadeiras cautionary tales, exatamente como aquelas que eram contadas na Inglaterra do século XIX, extremamente populares, e que na época seriam mesmo para levar a sério. Seja no livro de Hilaire Belloc, seja no de Sendak ou de William Bee, o que temos são três paródias àquele tom exagerado, moralista e até aterrorizador — como o que surge no muito conhecido Struwwelpeter que, apesar de hoje ser quase hilariante, na época era bem capaz de causar pesadelos (veja-se o que acontecia aos meninos que chuchavam no dedo...).






E como termina a história de “Grande Coisa”?
Talvez porque já passaram muitos anos e as lições (e as morais) dão cambalhotas sucessivas, os pais de Billy já perderam de vez a paciência e não se deixam impressionar, nem com o apetite do tigre, nem com o susto de Billy.
O livro resulta assim numa espécie de catarse para pais cansados de caprichos e, em alguns casos, talvez consiga a proeza de fazer rir em conjunto, tanto os pais como os filhos, da falta de maneiras de uns e da terrível falta de paciência de outros...

Para conhecerem o Jim, sigam por aqui.

Para conhecerem o Pierre, oiçam e vejam aqui a história completa.

E o nosso Billy, claro está, também merece uma visitinha, aqui.


Bom Verão!,
que os filhos se portem bem e deixem os pais descansar (e vice-versa).

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Novos livros do Planeta Tangerina no PNL

Saíram há poucos dias as listas do Plano Nacional de Leitura 2014.
O Planeta Tangerina tem novos livros recomendados:



- "Irmão Lobo", de Carla Maia de Almeida (ilustrações de António Jorge Gonçalves), recomendado para o 3.ª Ciclo, Leitura Autónoma;



- "Este livro está a chamar-te", de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, recomendado para Leitura em Voz Alta para o Pré-escolar;



- "Olhe, por favor não viu uma luzinha a piscar! Corre, coelhinho, corre", de Bernardo Carvalho, recomendado para o Pré-escolar (Leitura com Apoio de Pais e Educadores);



- "Uma onda pequenina", de Isabel Minhós Martins e Yara Kono, recomendado para o Pré-escolar (Leitura com Apoio de Pais e Educadores).

 

Todas as Listas de Livros recomendados, aqui:
http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/escolas/livrosrecomendados.php?idLivrosAreas=38

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Ontem na Casa Independente: supergigantámos!



























Obrigado ao Afonso Cruz.

Obrigado por terem vindo!

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Supergigante: explosão entre a primeira perda e o primeiro beijo

O site Garatujas Fantásticas garatujou sobre o Supergigante.
O texto é de Roberto Almeida.

(...)
A jornada de Edgar é intensa e exige do leitor. O texto em primeira pessoa, em fluxo de consciência, foi construído com bastante esmero entre repetições, confusões e distorções cronológicas. A relação com o avô entra em xeque, assim como a relação com os amigos, com os pais e com um primeiro amor. Ou seja, nos campos mais importantes da vida, Edgar está em ebulição e uma explosão é iminente. Vive o presente entre a primeira morte e o primeiro beijo.

Supergigante traz um subtexto magnífico de temporalidade. Ana joga com a noção de presente, passado e futuro em paralelo com construções de identidade do personagem principal, que gosta de contar histórias começando pelo fim. O garoto tropeça entre viver o passado, entender o presente e escolher um futuro de acordo com a maneira que se enxerga e se posiciona no mundo. Com a palavra, o próprio Edgar:

“Não sei se estou a fugir de alguém ou se vou atrás de alguma coisa. É como se tivesse chegado atrasado à minha própria história e se calhar foi mesmo assim.”

Aqui, o texto completo.

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Estamos a ser bombardeados







Quem já nos visitou, sabe que temos um pequeno quintal nas traseiras do escritório (como dizem os meus amigos do Porto). Para além da sorte que é este quintal, temos a sombra de várias árvores plantadas pelo antigo proprietário, e temos ainda a fruta quando chega o verão.

As árvores não têm grandes cuidados, uma poda muito de vez em quando e uma rega rápida nos dias mais quentes é suficiente para darem muita fruta. Tanta que nesta altura do ano não temos mãos a medir. Entre junho e agosto há ameixas vermelhas, ameixas amarelas e rainhas-cláudia (também há nêsperas, mas não com a mesma saúde). Depois, lá mais para setembro, chegam os figos que caem como bombas sobre a mesa onde almoçamos.




Aqui estão eles a encher-se de açúcar e de sol. O bombardeamento está prestes a começar...

São servidos?

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

"Supergigante" entre as sugestões do jornal Expresso

O "Supergigante" foi uma das sugestões de verão do Jornal Expresso deste fim de semana. O texto é de Sara Figueiredo Costa.






































Jornal Expresso/ Revista Atual/ 12.07.2104

Com o tempo: 5 estrelas na Timeout!


sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Criaturas

No dia 17, venham fazer criaturas estranhas connosco.

Un petit atelier, para todas as idades na Casa Independente, na festa de lançamento dos livros "Supergigante" e "Com o Tempo".






quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Estão todos convidados. Sem parar.


"Com o tempo" no Deus me livro (por Andreia Rasga)

O tempo é o que fazemos com ele: estarmos juntos, aprendermos algo novo, conhecermos alguém que gostamos, sentir uma emoção diferente. O tempo passa mas tudo o que vivemos com ele pode ficar para sempre.

Continuar a ler.

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Ana Pessoa e o Supergigante na Universidade do Minho



















Ana Pessoa vai estar hoje na Universidade do Minho, em Braga, a apresentar o seu último livro Supergigante (coleção Dois passos e um salto, com ilustrações de Bernardo Carvalho).

A apresentação faz parte da 10.ª edição dos Encontros Li — Investigação em Leitura, Literatura Infantil e Ilustração e está inserida nas atividades abertas à comunidade que têm lugar, hoje, a partir das 18.30 no Campus de Gualtar (e que inclui também uma homenagem a Teresa Calçada, até recentemente responsável pela Rede de Bibliotecas Escolares).

Vale a pena ir até ao Li (o programa completo, aqui).

terça-feira, 1 de Julho de 2014

"Com o tempo" nos Hipopótamos na Lua


A princípio estranha-se. Porque são muitos e fabulosos. Com o tempo entranha-se e ficamos viciados... São os livros do Planeta Tangerina! O último, com texto de Isabel Minhós Martins e ilustrações de Madalena Matoso, não foge à regra.


O tempo, ou a sua passagem, volta a ser a temática. De forma aparentemente simples, a cada página são evidenciados os efeitos do seu decurso sobre pequenas coisas de todos os dias. À boleia do tempo, vamos observando a sua própria medida de duração, as suas mutações, a ordem de grandeza...

Um livro onde reconhecemos as etapas. O crescimento e o envelhecimento como pólos de um ciclo onde tudo se revela transitório, efémero... Mas onde cada etapa adquire uma importância específica,  que só o tempo poderá relativizar.





"Com o tempo", por Andreia Brites

N'O Bicho dos Livros, Andreia Brites escreve sobre o livro "Com o tempo":

Nem de propósito, depois do último post chegou ao Bicho dos Livros o mais recente álbum do Planeta Tangerina. Com o Tempo tem texto de Isabel Minhós Martins e ilustrações de Madalena Matoso e recupera um tema que é caro à equipa do Planeta: o tempo.

Depois de Um Livro para Todos os Dias, O Mundo num Segundo, Depressa Devagar ou Ir e Vir, Com o Tempo apresenta situações que ilustram a duração, a sucessão, o ciclo, a transformação e a permanência. É a ideia filosófica, ontológica e epistemológica da relatividade, do eterno retorno, da inevitabilidade. Recorrendo ao senso comum da experiência de todos os dias, texto e imagem caminham a par, num diálogo que desvenda essa simplicidade tão complexa que nos deixa sensações múltiplas, tantas vezes paradoxais.  


As escolhas da revista Emília
























A equipa da Emília, revista digital brasileira dedicada à literatura infanto-juvenil, fez pela primeira vez uma seleção dos melhores livros de 2013. A seleção deu origem a dois grupos de livros com títulos irresistíveis: uma primeira seleção a que chamou "Arrebatadores" e uma segunda escolha de títulos considerados "Imperdíveis".


Gostámos de saber que a edição brasileira de "Enquanto o meu cabelo crescia" (Peirópolis) foi considerada imperdível!

Vale a pena ler o documento com a listagem completa de livros selecionados, que inclui também uma apresentação detalhada da equipa, o método e critérios seguidos para esta seleção.


sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Queridos leitores!


quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Vencedores do Passatempo Supergigante

O júri já deu o veredicto!
Os vencedores do passatempo Supergigante são:
Rui Silva, de Lisboa;
Cláudia Coimbra, de Lisboa;
e Maria Cristina Itozaku, de Florianópolis, Brasil.

Obrigada a todos os que participaram (recebemos textos fantásticos, a escolha foi renhida).
Aos vencedores, parabéns! O Supergigante já começou a corrida até vossas casas.

Aqui ficam os textos selecionados:

Na casa dos meus avós existia um azulejo que avisava "não corras tanto que o tempo não acaba". Eu nunca lhe liguei e por isso passei metade da minha vida a correr. A única diferença é que corria dentro de água. A natação é uma forma especial de correr; a água esconde o suor e chegamos quase sempre ao mesmo ponto de onde partimos. Eu corria dentro de água e gostava. Sempre que me atirava à piscina corria como se não houvesse amanhã, vingando-me do andar e do correr desajeitado que tinha (e tenho) fora dela. Mais tarde passei a correr no mar, ajudado pela inclinação e a espuma das ondas. Não há corrida mais bonita. Quem corre nas ondas acaba sempre o dia com um sorriso na cara de olhos vermelhos, salgados pelo mar. Eu corria que me fartava e o tempo não acabava. Por vezes até o sentia esticar. Os meus avós abanavam a cabeça mas eu respondia acelerando. Até que de repente parei. Deixei de correr. Na piscina e nas ondas. As corridas aquáticas foram arrumadas na prateleira de cima do fundo da arrecadação e passaram à condição de memórias. Nos dias que correm a agitação é outra e os únicos que vejo correr de verdade são os meus dois sóis, que têm bicho-carpinteiro: aceleram, pulam, caem e levantam-se. Não há dia que não deseje seguir-lhes o exemplo. Acho que ainda vou a tempo.

Rui Silva


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UMA BIOGRAFIA QUASE LENTA



A minha mãe correu para me ter mas eu nasci devagar. Nasci de uma mãe agitada com pressa de viver, daquelas que nos pegam pela mão e atravessam as ruas na diagonal, que têm dois trabalhos mas arranjam tempo para brincar no chão, fazer rissóis e mil folhos em vestidos que eu não queria usar. A minha mãe corre. Eu contemplo. Quando queria viajar bastava dar-lhe a mão e levantar os pés do chão, como quem apanha um autocarro que está mesmo, mesmo a partir e lá ia eu meio a voar. No dia em que caiu a trovoada na praia e houve a debandada, fiquei a comer gelado na areia. Vi o Índico escurecer, as pingas mornas a derreterem o doce do gelado e eu a lamber os lábios salgados de mar. E todos aqueles protões e neutrões que apanhei me transformaram. Continuo a contemplar e em vez de correr, arranjei muitos braços com que estou em todo lado. Com uma mão ponho um penso num joelho, pouso outra no queixo para ler histórias, mexo a sopa de beterraba com a terceira, arranjo mais duas para verificar piolhos vindos da escola, tenho aquela que faz cócegas e muitas outras de que precise. Para não correr arranjei esta maneira. Só corro quando vêm as trovoadas, para chegar à praia ou ao topo da montanha e poder agarrar aquela energia toda que mantém os mil braços a funcionar. 


Cláudia Coimbra



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Meu desempenho na largada foi impecável: nasci antes mesmo de nascer o sol, às quinze para as cinco da manhã. Meus irmãos e irmãs vieram muito depois, respeitando intervalos de três anos para que minha mãe pudesse respirar. Como a maioria das crianças, preferia correr a andar e ficava torcendo para o meu pai ultrapassar os outros carros quando saíamos para passear. No primeiro ano, fui campeã de velocidade em letra-de-mão: terminava todas as cópias, exercícios e ditados antes de qualquer um. Por isso, passei o segundo ano fazendo trabalho extra no caderno de caligrafia, até que os meus garranchos se tornassem legíveis. A partir daí, alguma coisa desandou. Acho que era difícil correr com a cabeça enfiada num livro. Na adolescência, fiz parte de um duo conhecido na família como “Devagar-e-Quase-Parando”, até que a minha prima optou pela carreira solo, alegando que eu era um atraso de vida. Só fui me recuperar ao compor o pódium das primeiras gestações entre as garotas da minha geração. Foi uma chegada emocionante: as três primas-de-segundo-grau chegaram ao mundo num período de cinco meses. Fiquei com a medalha de prata. Hoje, tento manter presente a ideia de que não se pode viver das glórias do passado. Chegando aos cinquenta, me consola a verdade incontestável de que pra baixo todo santo ajuda. Sinto que vou, lenta mas seguramente, ganhando momento. Hora de consultar o livro dos recordes.

Maria Cristina Itokazu


quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Prémio Nacional de Ilustração 2013

António Jorge Gonçalves é o vencedor do Prémio Nacional de Ilustração 2013 com as ilustrações para o livro "Uma escuridão bonita" (texto de Ondjaki, edição Caminho).

Este ano, o júri também atribuiu duas menções honrosas: uma às ilustrações de Yara Kono para o livro "Uma onda pequenina" (texto de Isabel Minhós Martins), editado pelo Planeta Tangerina e outra ao trabalho de João Fazenda para o livro "O pai mais horrível do mundo" (texto de João Miguel Tavares, edição Esfera dos Livros).

António Jorge Gonçalves também faz parte do catálogo do Planeta Tangerina. É ele que assina as ilustrações do livro "Irmão lobo", com texto de Carla Maia de Almeida, da nossa coleção Dois Passos e Um Salto.

Aos vencedores, Bravo!

terça-feira, 24 de Junho de 2014

PACKS DE LIVROS A NÃO PERDER

Até ao próximo dia 6 de julho, a loja está em saldos.
Para comemorar a chegada do verão, organizámos uma campanha com 8 packs de 3 livros, em que o 3.º é oferta da casa.

Campanha válida entre 24/6/2014 e 6/7/2014, limitada ao stock existente.
(Oferta do livro de valor mais baixo.)

Espreitem aqui: www.planetatangerina.com/pt/loja